Mulheres já são maioria entre pequenos comerciantes que vendem pela internet no Brasil, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre trabalho em plataformas digitais, divulgada em parceria com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho em 2025.
Mulheres lideram pequenos negócios online
De acordo com o levantamento, elas representam 51,8% dos pequenos negócios que atuam em plataformas de comércio eletrônico, enquanto os homens somam 48,2%. O estudo mostra ainda que, entre os cerca de 5 milhões de comerciantes do país, apenas 4,2% usam essas ferramentas digitais para alcançar clientes.
Uma dessas empreendedoras é a empresária Victória Chaves, que no início do ano deixou o ramo da alimentação para investir em uma plataforma de aluguel e venda de roupas e acessórios. O negócio aposta na economia circular: qualquer pessoa pode deixar peças em consignação para alugar ou vender, com toda a operação feita pela internet.
Para Victória, a presença online é decisiva para o sucesso da iniciativa. Ela afirma que a internet é a base do empreendimento e que o espaço físico serve apenas como estoque e para atender quem prefere provar as roupas antes de finalizar a compra.
Do trabalho doméstico ao ambiente digital
Segundo o economista Daniel Poit, a entrada das mulheres no comércio digital é uma continuidade de estratégias que já existiam em casa para complementar a renda familiar.
Na avaliação de Poit, nas últimas décadas muitas mulheres atuavam como costureiras, lavadeiras ou em outras atividades domésticas remuneradas. Ele destaca que, com a disseminação da internet, essas possibilidades migraram para o ambiente online, mantendo a flexibilidade de horário e a possibilidade de conciliar trabalho e cuidados com a família.
Renda maior e potencial de expansão
O IBGE aponta que a renda média mensal de comerciantes que atuam em plataformas digitais é 44% maior do que a de quem não utiliza a internet para vender. Os pesquisadores avaliam que a combinação entre maior alcance de clientes e redução de custos fixos ajuda a explicar a diferença nos ganhos.
Mesmo assim, o estudo mostra que o uso do comércio eletrônico ainda é limitado entre os pequenos negócios. Apenas uma pequena parcela dos 5 milhões de comerciantes brasileiros explora o ambiente digital, o que indica grande margem para crescimento.
Conforme analisa Poit, a internet amplia de forma significativa o público potencial de uma loja. Ele exemplifica que, quando uma pessoa tem uma loja de maquiagem no bairro, vende apenas para quem passa pela região. Ao levar o negócio para o meio digital, passa a ser vista por consumidores de outras cidades, estados e até de outros países.
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