Mais da metade das mulheres brasileiras já sofreu algum tipo de violência praticada por companheiro ou ex-companheiro, segundo levantamento divulgado nessa quarta-feira (29) pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva. A pesquisa mostra que 54% das brasileiras, o equivalente a 47,7 milhões de pessoas, relatam já ter vivido essa realidade. Os dados foram apresentados no momento em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos.
A pesquisa aponta que a violência psicológica é a forma mais comum de agressão nos relacionamentos. De acordo com o levantamento, quatro em cada dez mulheres afirmam já ter sofrido ameaças, xingamentos, controle excessivo ou tentativas de isolamento por parte de parceiros ou ex-parceiros.
Além disso, a violência física também atinge um número significativo de brasileiras. Segundo o estudo, 25% das mulheres, ou seja, uma em cada quatro, relatam já ter sido agredidas fisicamente por um companheiro ou ex-companheiro.
Outras formas de violência também aparecem entre os relatos das entrevistadas. A violência moral, caracterizada por ataques à reputação e à honra da vítima, foi mencionada por 19% das mulheres. Já a violência sexual foi relatada por uma em cada dez brasileiras.
Outro dado que chama atenção é a diferença entre a violência relatada pelas mulheres e aquela reconhecida pelos homens.
Enquanto 54% das mulheres afirmam já ter sido vítimas de violência praticada por parceiros ou ex-parceiros, apenas 11% dos homens admitem ter cometido algum ato de violência contra companheiras ou ex-companheiras.
Os números reforçam que, 20 anos após a criação da Lei Maria da Penha, diferentes formas de violência continuam presentes na vida de milhões de brasileiras.
Diante desse cenário, o Grupo Bandeirantes lançou a campanha “Band Não Se Cala”, com o objetivo de ampliar a conscientização e incentivar denúncias de agressões, estupros e feminicídios em todo o país.
A mobilização busca envolver a sociedade no acolhimento às vítimas e no enfrentamento da impunidade.
Os dados apresentados pela campanha também evidenciam a gravidade do problema. A cada 30 segundos, uma mulher aciona a Polícia Militar para pedir socorro no Brasil. Além disso, o país registra um estupro a cada seis minutos e um feminicídio a cada seis horas, revelando uma realidade marcada pelo medo, pelo silêncio e pela violência.






