Há 13 anos, o Brasil se despedia de Dominguinhos, um dos principais nomes da música nordestina. O cantor, compositor e sanfoneiro morreu em 23 de julho de 2013, aos 72 anos, em São Paulo. Batizado como José Domingos de Morais, o artista nasceu em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, em 12 de fevereiro de 1941. Filho do sanfoneiro e afinador Mestre Chicão, começou a tocar ainda criança.

Aos seis anos, Dominguinhos já se apresentava em feiras livres e portas de hotéis ao lado de dois irmãos. O grupo ficou conhecido como Os Três Pinguins.

Aos oito anos, o menino conhecido como Neném do Acordeon tocou para Luiz Gonzaga na porta de um hotel em Garanhuns. O encontro transformou sua vida e marcou o início de uma relação artística duradoura.

Gonzagão tornou-se seu padrinho musical, presenteou o jovem com uma sanfona e sugeriu o nome artístico Dominguinhos. Em 1957, aos 16 anos, o pernambucano participou de sua primeira gravação ao lado do Rei do Baião.

Dominguinhos acompanhou Luiz Gonzaga em apresentações e, posteriormente, aproximou-se de diferentes vertentes da música brasileira. Sua sanfona passou a dialogar com o baião, o xote, o forró, o choro, o samba e o jazz.

Ao longo da carreira, o músico trabalhou com artistas como Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Chico Buarque, Elba Ramalho, Caetano Veloso, Fagner e Yamandu Costa.

Entre suas canções mais conhecidas estão “Eu Só Quero um Xodó”, parceria com Anastácia; “De Volta pro Aconchego”, com Nando Cordel; e “Lamento Sertanejo”, composta com Gilberto Gil.

Também fazem parte de seu legado músicas como “Isso Aqui Tá Bom Demais”, com Chico Buarque; “Gostoso Demais”, “Sanfona Sentida”, “Tenho Sede” e “Tantas Palavras”.

As composições foram interpretadas por diferentes gerações e ajudaram a ampliar a presença da cultura nordestina no cenário nacional.

Dominguinhos recebeu importantes prêmios ao longo de mais de cinco décadas de carreira. Entre eles estão o Grammy Latino, o Prêmio Shell de Música e homenagens pelo conjunto de sua obra.

O artista morreu no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, devido a complicações cardíacas e infecciosas. Seu corpo foi posteriormente levado para Garanhuns, onde foi sepultado.

Desde sua morte, a cidade realiza o festival Viva Dominguinhos, reunindo músicos e admiradores para preservar sua obra. Mais de uma década depois, sua sanfona continua presente em festas, palcos e encontros familiares.

Dominguinhos deixou mais do que canções. Deixou um modo delicado de traduzir saudade, amor, alegria e pertencimento por meio da música brasileira.