O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou o Papa Leão XIV de “fraco” e afirmou que o comportamento do pontífice está prejudicando a Igreja Católica. O ataque foi publicado neste domingo (12) na rede social Truth Social, em resposta às críticas do religoso à política externa americana e à guerra contra o Irã.
“O Papa Leão é FRACO no combate ao crime e terrível em política externa”, escreveu o presidente. Trump ainda afirmou que Leão XIV “deveria se organizar como papa, usar o bom senso, parar de ceder à esquerda radical e se concentrar em ser um grande papa, não um político. Isso está lhe prejudicando muito e, mais importante, está prejudicando a Igreja Católica.”
Na mesma publicação do Truth Social, Trump também escreveu que não quer um papa que considere terrível o ataque americano à Venezuela, em referência a declarações de Leão XIV em janeiro, quando o pontífice manifestou preocupação com os venezuelanos após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro.
Trump também afirmou que o pontífice deveria ser “grato” porque “ele é uma grande surpresa”. Para o republicano, Leão XIV só se tornou papa porque ele é americano e a Igreja Católica pensou “que essa seria a melhor maneira de lidar com o presidente Donald J. Trump”. “Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”, escreveu o magnata.
A ofensiva verbal foi uma reação direta às declarações do pontífice na semana passada. O Papa classificou como “realmente inaceitável” a ameaça de Trump de destruir a civilização iraniana, feita após o presidente publicar que “toda uma civilização morrerá esta noite” caso o Irã não cumprisse um ultimato para reabrir o Estreito de Ormuz.
No último dia 10, o líder da Igreja Católica foi além e refutou o argumento da administração Trump de que Deus estaria do lado dos Estados Unidos na guerra. “Deus não abençoa nenhum conflito. Qualquer que seja discípulo de Cristo, o Príncipe da Paz, jamais estará do lado daqueles que um dia empunharam a espada e hoje lançam bombas”, escreveu o pontífice no X.
A briga entre o presidente americano e o primeiro papa nascido nos Estados Unidos está inserida em um contexto de crescente tensão entre Washington e o Vaticano. Em janeiro, o subsecretário de Defesa para Política, Elbridge Colby, convocou o cardeal Christophe Pierre, embaixador do Vaticano em Washington, para uma reunião a portas fechadas no Pentágono.
Segundo relatos, autoridades americanas teriam afirmado que “os Estados Unidos têm poder militar para fazerem o que quiserem no mundo” e que “a Igreja Católica deveria tomar um lado.” O Pentágono negou que o encontro tenha tido caráter hostil.
O papa também recusou convite do vice-presidente J.D. Vance para celebrar o 250º aniversário da independência americana na Casa Branca. No mesmo dia, Leão XIV visitará a ilha italiana de Lampedusa, principal porta de entrada de imigrantes africanos na Europa.
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