A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (31), uma nova fase da Operação Sisamnes para investigar um suposto esquema de venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Com autorização do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), os agentes realizaram buscas na residência do ex-servidor Márcio José Toledo Pinto, do STJ, em Brasília, sob a suspeita de que ele editava e comercializava minutas de decisões em troca de propinas milionárias.
As investigações apontam que o ex-assessor utilizava seu cargo de confiança para acessar e compartilhar rascunhos de decisões antes de serem publicadas. Esse conteúdo privilegiado era entregue a um lobista.
Em troca, a PF identificou movimentações financeiras que somam pelo menos R$ 4 milhões. Para tentar esconder a origem ilícita do dinheiro, os repasses teriam sido feitos para uma empresa registrada em nome da esposa do ex-servidor, configurando uma tentativa de lavagem de dinheiro.
Um dos pontos mais graves desta nova fase da operação é a suspeita de que o investigado estaria tentando atrapalhar o trabalho da polícia. Segundo os relatórios enviados ao STF, o ex-assessor teria monitorado os próprios investigadores da PF que atuam no caso.
Devido a essa tentativa de obstrução, a Polícia Federal chegou a solicitar a prisão temporária do envolvido. No entanto, o ministro Cristiano Zanin entendeu que, no momento, a busca e apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos seria suficiente para a coleta de provas, negando o pedido de detenção.
A Operação Sisamnes teve início em 2024 e foca em diferentes frentes de corrupção que podem atingir diversos setores do Judiciário. O ex-servidor alvo das buscas de hoje já havia sido indiciado anteriormente por corrupção passiva e violação de sigilo.
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