O ex-candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro viajou nesta terça-feira (27) para os Estados Unidos, onde o Departamento de Estado concederá vistos a ele e sua família para que possam entrar no país, informou à CNN uma autoridade graduada do próprio Departamento de Estado.

O anúncio ocorre horas depois de duas fontes terem dito à CNN que Bolsonaro havia deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos. A expectativa é de que ele desembarque na Flórida.

Nas primeiras horas desta terça-feira, o paradeiro de Bolsonaro era desconhecido após circularem informações de que ele teria pedido asilo na Argentina, algo negado pelas autoridades do país.

Uma fonte brasileira próxima a Bolsonaro afirmou que o político temia ser preso no Brasil, onde é investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por supostos atos de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Na segunda-feira, Bolsonaro disse ter recebido da polícia uma notificação para entregar seus passaportes e uma proibição de deixar o país após visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, um dia depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva. Bolsonaro não reconheceu oficialmente a derrota, mas seu partido o fez na segunda-feira.

A CNN procurou a Polícia Federal para obter mais informações e aguarda resposta.

A emissora também entrou em contato com o gabinete de Bolsonaro no Senado e com seu partido, o Partido Liberal (PL), em busca de informações sobre seu paradeiro, e aguarda retorno.

Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e atualmente residente nos Estados Unidos, havia negado nesta terça-feira os relatos de que seu irmão teria deixado o país rumo aos EUA e afirmou que se tratava de uma “mentira”, em declarações ao portal UOL.

O ex-candidato também rejeitou, na segunda-feira, a possibilidade de deixar o Brasil.

“Nunca pensei em abandonar o país. Entregarei meus passaportes e me defenderei dessa aberração”, disse o senador, que classificou a medida como “uma clara tentativa de me intimidar”.

A CNN também procurou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil para comentar o assunto. O órgão orientou a emissora a procurar as autoridades responsáveis pelo caso.

Flávio é investigado pela mais alta corte do Brasil por supostos atos de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionados a pagamentos que Daniel Vorcaro, ex-diretor do falido Banco Master, teria feito para financiar o filme Dark Horse, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio nega ter cometido qualquer irregularidade.

O Supremo também abriu uma investigação sobre a campanha de Flávio por possível interferência estrangeira nas eleições por meio de financiamento irregular, manipulação de plataformas digitais e favorecimento em troca de benefícios no país. Flávio já havia negado qualquer irregularidade em sua campanha.

A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que “não registra qualquer entrada” de Flávio Bolsonaro no país.

“Devido à repercussão midiática sobre a presença de uma aeronave particular no Aeroporto Internacional de Iguazú, as autoridades iniciaram os controles correspondentes sobre a aeronave e sua tripulação”, afirmou o órgão em comunicado.

Segundo as informações oficiais, foi constatado que a documentação da empresa responsável pelo avião “está em ordem e não foi apresentado nenhum plano de voo que incluísse a família Bolsonaro”.

Por sua vez, o porta-voz da Presidência argentina, Adrián Ravier, afirmou nesta terça-feira, em entrevista coletiva, que Flávio Bolsonaro “não pediu asilo” ao país.

O porta-voz também comentou a possibilidade de Bolsonaro ter cruzado a fronteira e estar em território argentino, afirmando que a Direção de Migrações não possui qualquer registro disso.

O presidente da Argentina, Javier Milei, é um importante aliado de Flávio Bolsonaro e manifestou apoio ao senador em diversas ocasiões durante a campanha eleitoral. Após a oficialização dos resultados da eleição no domingo, o governo argentino não se pronunciou sobre a vitória do presidente Lula da Silva.

R7