Uma nova vacina contra o tabagismo está sendo desenvolvida em um laboratório farmacêutico em Itapira (SP). A proposta inovadora do imunizante é impedir que a nicotina chegue ao cérebro, bloqueando a liberação de dopamina e a consequente sensação de prazer que alimenta o vício.

Diferente de outras tentativas ao redor do mundo em que a nicotina, por ser uma molécula pequena, passava despercebida pela corrente sanguínea, a nova fórmula une a molécula de nicotina a uma molécula maior. Com essa junção, o organismo passa a identificar a substância como um perigo e estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos específicos. Esses anticorpos capturam a nicotina ainda na corrente sanguínea, impedindo que ela atinja o cérebro.

Dessa forma, ao fumar ou utilizar dispositivos eletrônicos (vapes), o usuário não recebe o estímulo químico de prazer no cérebro, perdendo gradativamente a vontade de tragar. Segundo pneumologistas, os tratamentos atuais disponíveis mimetizam a nicotina ou focam em diminuir a vontade e aliviar os sintomas de abstinência; por isso, uma nova terapia que impeça diretamente a chegada da substância ao cérebro é vista como altamente conveniente para que o paciente não continue dependente.

Estágio atual e cronograma da pesquisa
A pesquisa já conta com um ano e meio de duração e, até o momento, os testes foram realizados exclusivamente em animais. Os primeiros resultados se mostraram altamente promissores, confirmando a produção de anticorpos específicos e a capacidade de prevenir a dependência da nicotina.

Os estudos iniciais apontam que o tratamento completo deve ser composto por três doses aplicadas com intervalo de um mês. Atualmente, ainda não há uma estimativa de preço para a comercialização do imunizante. Se todas as fases de testes em humanos forem bem-sucedidas, a previsão é que a vacina esteja disponível para o público em 2030.

O avanço do tabagismo no Brasil
O desenvolvimento de novas ferramentas terapêuticas ocorre em um momento crítico. Mais de 145 mil mortes são registradas anualmente no Brasil em decorrência de doenças relacionadas ao tabaco. Para agravar o cenário, a proporção de fumantes no país registrou um aumento recente, subindo de 9,2% em 2023 para 11,5% em 2024. Quando finalizada, a vacina poderá atuar como uma importante aliada aos métodos tradicionais de combate ao vício.

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