A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã confirmou ter realizado uma ofensiva militar na manhã deste sábado contra bases que abrigam forças dos Estados Unidos na região do Golfo Pérsico. O ataque, que utilizou mísseis e drones, atingiu a base aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, e a sede da 5ª Frota da Marinha norte-americana, no Bahrein.

Segundo a agência de notícias estatal iraniana Irna, a ação foi uma retaliação aos bombardeios conduzidos por Washington no dia anterior contra sistemas de radares em território iraniano.

Os governos do Kuwait e do Bahrein informaram que suas defesas aéreas entraram em ação durante a madrugada para interceptar as ameaças. O Comando Central dos EUA (Centcom) detalhou que sete mísseis foram disparados pelas forças iranianas, dos quais seis foram abatidos e um não atingiu o alvo pretendido.

Autoridades do Bahrein repudiaram veementemente o episódio, classificando-o como uma agressão flagrante e uma violação direta da soberania territorial de ambos os países. Por conta dos ataques, o espaço aéreo do Kuwait foi temporariamente fechado, provocando o desvio de 11 voos comerciais antes da retomada total das operações aeroportuárias.

O novo pico de violência joga luz sobre a fragilidade do cessar-fogo em vigor desde 8 de abril. A guerra teve início em 28 de fevereiro deste ano, após uma operação conjunta entre Estados Unidos e Israel que eliminou a cúpula do governo em Teerã. Desde então, os países do Golfo, historicamente vistos como áreas de estabilidade e de forte peso no mercado petrolífero, tornaram-se alvos colaterais.

O impasse militar também mantém bloqueado o Estreito de Ormuz, uma das principais vias de escoamento de petróleo e gás natural do mundo, cujo acesso foi fechado pelo Irã e cercado por um bloqueio naval norte-americano.

A escalada das hostilidades ocorre em um momento de forte pressão política sobre o governo de Donald Trump, que enfrenta cobranças internas a poucos meses das eleições legislativas de meio de mandato. Apesar do risco iminente de rompimento da trégua, agravado por um ataque de drone no início da semana que deixou um morto em um aeroporto do Kuwait, o presidente norte-americano demonstrou otimismo ao declarar a jornalistas que a situação com o Irã parece estar correndo bem.

Trump afirmou que os EUA pretendem encerrar o envolvimento na região rapidamente, seja por meio de um acordo diplomático ou pelo que chamou de “caminho mais difícil”.

Nos bastidores diplomáticos, o processo de negociação segue travado. Embora representantes dos dois países tenham elaborado uma proposta preliminar para estender o cessar-fogo por mais 60 dias e retomar as discussões sobre o programa nuclear iraniano, a Casa Branca exigiu modificações no texto que ainda não foram aceitas por Teerã. Em entrevista à emissora NBC, Trump justificou a lentidão no processo afirmando que as exigências americanas impõem decisões complexas aos iranianos. O mandatário estimou ainda que o Irã já perdeu a maior parte de suas defesas, retendo atualmente entre 21% e 22% de seu arsenal original de mísseis.

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